segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Resenha sobre o filme: Nós que aqui estamos, Por vós Esperamos

Filme –Nós que aqui estamos por vós esperamos
Museologia do Mundo Contemporâneo
Data: 22.08.2013

O filme é denso e cheio de informações. Há necessidade de um tempo para se processar tantas informações. Parar, refletir, rever.

Muitas questões contemporâneas (Século XX) são abordadas: A vida, a morte. A Paz a Guerra, cultura de massa, consumo exacerbado, a rotina massacrante do dia a dia, o crash da bolsa em 29, suas consequências como fome, desemprego, precarização das relações de trabalho.


A trilha sonora é linda e conduz à reflexão, criando uma espécie de ilusão, invertendo a lógica.

No filme, constatamos que a história do Século XX não foi somente construída por  heróis ou ante heróis, mas que os personagens anônimos também fizeram parte desse enredo. Talvez por isso haja uma identificação, porque “nós” gente comum nos enxergamos como indivíduos que também controem essa história e deixam seu legado para o futuro.

As contradições do mundo contemporâneo são abordadas como por exemplo, o funcionário de um Banco que não tem dinheiro, ou o funcionário de uma indústria automobilística como a FORD que não possui carro. Os absurdos da guerra –Horoshima /Nagasaki. Chefes de estado totalitários em contraponto com o líder que pregou a paz como Ghandi.

Também mostra a evolução do movimento feminista, uso do maiô, o simbólico ato da queima de sutiãs, as conquistas das mulheres, a jornada dupla. Nessas cenas refazemos a caminhada e o legado que nossas avós e nossas mães deixaram para nós.

Cenas chocantes de guerra, como a perna amputada, a violência contra a dignidade humana faz-nos  refletir sobre nossos limites em termos de atrocidades.


Por fim, destaco a frase bem provocativa para nós Brasileiros:


 
Vladimir Mayakovsky -




Visita ao Museu de Ciência e Tecnologia da PUCRS

Em em 21 de novembro visitamos o Museu de Ciência e Tecnologia da PUCRS, em um trabalho de campo de Museologia Contemporânea conduzido pela professora Zita Possamai. Foi uma oportunidade única! Conhecer as reservas técnicas, as oficinas de restauração, e o dia-dia dos funcionários , é transformar a teoria em prática. Fomos muitos bens recebidos pela funcionária do Museu Simone Monteiro.

 Vídeo do Programa Conhecendo Museus, sobre o Museu da PUCRS:

Site do Museu:

Fim da visita ao Museu, pausa para a foto!


terça-feira, 12 de novembro de 2013

Palestra sobre Acessibilidade Casa de Cultura Mário Quintana (31/10/2013)



Apresentação: Anajara Carbonell Closs 
Dissertação: Percursos de Acessibilidade Cultural Casa de Cultura Mario Quintana: uma pesquisa-ação inclusiva, defendida em setembro de 2013 no Curso de Pós-Graduação Unilassale no Mestrado Social e Bens Culturais.



O deficiente visual sonha (...)Seu aroma é apurado, a memória é de gigante. O ouvido é um radar. Mas não é herói de nada. É só diferente, o deficiente visual”
Marcelo Rubem Paiva


A partir do advento da “Nova Museologia” o papel dos Museus e demais equipamentos culturais ampliou-se para o entendimento que os Museus estão inseridos em um contexto social. Nosso país, além de apresentar uma diversidade ímpar, infelizmente ainda é muito desigual nas oportunidades. Muito embora os guias de acessibilidade museológicas enfatizem que a responsabilidade dos museus nos processos de inclusão sociocultural deve ir além dos aspectos físicos, isto é, da eliminação das barreiras arquitetônicas dos edifícios, espaços de circulação e da montagem das exposições, sabemos que na prática não é isso que acontece. 
O último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2010) aponta um número superior a 45 milhões de brasileiros com deficiência, por isso a importância em buscar, uma sociedade mais justa. 
As pessoas deficientes (física, auditiva, mental ou visual) têm as mesmas necessidades e desejos de participar da cena cultural que os demais indivíduos. No entanto, trata-se de um desafio, já que nossa sociedade pouco privilegia esse segmento da população. Nesse sentido a exibição do filme bem como o debate com a Mestra Anajara  foi muito bem vindo e oportuno. O filme é a constatação  de como é dura a realidade para os deficientes físicos. A Casa de Cultura Mario Quintana  é inacessível e despreparada para receber esse público.. Além do que, conforme relatou Anajara,.
O conceito de acessibilidade em Museus vai além da acessibilidade física apresentando a seguinte classificação, conforme Sassaki (2006, p.24):

Acessibilidade arquitetônica: não há barreiras ambientais físicas nas casas, nos edifícios, nos espaços ou equipamentos urbanos e nos meios de transporte individuais ou coletivos.
Acessibilidade comunicacional: não há barreiras na comunicação     interpessoal (face-a-face, língua de sinais), escrita (jornal, revista, livro, carta, apostila, incluindo textos em braile, uso do computador portátil) e virtual (acessibilidade digital).
 Acessibilidade metodológica: não há barreiras nos métodos e técnicas de estudo (escolar), de trabalho (profissional), de ação comunitária (social, cultural, artística etc.) e de educação dos filhos (familiar).
Acessibilidade instrumental: não há barreiras nos instrumentos, utensílios e ferramentas de estudo (escolar), de trabalho (profissional) e de lazer ou recreação (comunitária turística ou esportiva).
 Acessibilidade programática: não há barreiras invisíveis embutidas em políticas públicas (leis, decretos, portarias) e normas ou regulamentos (institucionais empresariais etc.).
Acessibilidade atitudinal: não há preconceitos, estigmas, estereótipos e discriminações.


Nesse sentido refleti sobre a concepção de Cohen e Duarte (2008) na qual retira da pessoa a responsabilidade pela falta de habilidade de lidar com os espaços, fazendo ver que as próprias instituições são deficientes, por não permitires a motricidade e a mobilidade.
Não obstante a legislação vigente já discipline essa área através de normas, declarações, leis, decretos, portarias, recomendações e tratados internacionais, na prática não é isso que acontece..
O Decreto n. 5.296 de 2 de dezembro de 2004 (BRASIL, 2004) constitui um dos documentos mais importantes nesse sentido, pois regulamentos a Lei Federal n. 10.098/2000. Este decreto “[...] forneceu elementos técnicos e estipulou prazos para que vias públicas, estacionamentos, edifícios públicos e privados atendam o Desempenho Universal, ou seja, se adequem às necessidades inclusive das pessoas com deficiência”.
A Lei Federal n. 10.098 (Brasil, 2000) de 19 de dezembro de 2000, conhecida como a Lei de Acessibilidade, merece destaque, pois, estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção de acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. Para tanto, determina a supressão de barreiras e de obstáculos nas vias e espaços públicos, no mobiliário urbano, na construção e reforma de edifícios e nos meios de transporte e comunicação.

O acesso digno e a plena fruição de uma exposição aos deficientes exige uma nova postura profissional, investimento em políticas públicas inclusivas, no sentido de proporcionar ao deficiente físico um tratamento diferenciado e  cidadão. 

Referências 

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9050 – Acessibilidade a Edificações, Mobiliário, Espaços e Equipamentos Urbanos. 2. ed. Rio de Janeiro. 2004.
______. NBR 15599 – Acessibilidade: comunicação na prestação de serviços. Rio de Janeiro, 2008.
______. Lei n. 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Diário Oficial [da] RepúblicaFederativa do Brasil, Brasília, DF, 20 dez. 2000. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l10098.htm>. Acesso em: 17 out. 2013.

COHEN, Regina; DUARTE, Cristiane Rose de Siqueira. Inclusão e Acessibilidade de Pessoas com Deficiência no Brasil: Uma perspectiva dos sentidos e das sensações no acesso aos Museus tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. In: I Encontro Regional de Acessibilidade em Museus, 2008, São Paulo. 

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Censo 2010. Rio de Janeiro, 2010. Disponível em: <http://censo2010.ibge.gov.br/>. Acesso em: 17 out. 2013.
SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. Rio de Janeiro, 2006.